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Foodtechs: o que esperar do futuro da alimentação?

A revolução alimentar já virou pauta

O futuro da alimentação é um assunto que gera muita preocupação. Afinal, estamos indo em direção a um ambiente não sustentável. Vemos números alarmantes de pessoas com fome e desnutrição no mundo inteiro, que aumentam ano após ano.


Nosso sistema alimentar - consumo, produção e desperdício - traz ainda problemas para o meio ambiente, como a degradação dos solos, perda de biodiversidade, poluição do ar, águas e solo, entre outros.


Para se ter ideia, um levantamento feito pela ONG WWF mostra que a indústria alimentícia utiliza 34% do total de nossos solos, 69% da água de nossos rios e é responsável por um quarto dos gases de efeito estufaemitidos. Tudo isso para, no final, desperdiçarmos cerca de um terço dos alimentos produzidos ao redor do mundo.

Vendo esse cenário, uma alternativa interessante para resolver parte dos problemas é usar a tecnologia para revolucionar o setor alimentício. Foi então que apareceram as foodtechs.


Essas empresas transformam a forma como os alimentos são produzidos, distribuídos e consumidos, a partir de ideias inovadoras e disruptivas. Existem outros tipos, mas o exemplo mais comum dessas soluções é a criação de alimentos e nutrientes sintéticos.


Estima-se que o mercado de foodtech movimentará, até 2030, US$ 36,6 bilhões, com uma taxa de crescimento anual de 48,1%. Especialistas acreditam que, no futuro, as principais tendências desta indústria serão: nutrição personalizada, transparência na cadeia de suprimentos, proteínas alternativas e impressora 3D de comida.

Foodtechs estão chegando à bolsa de valores

No momento, a revolução alimentar é impulsionada por foodtechs dos seguintes setores: agricultura biotecnológica; plataformas de compra e venda de produtos agrários; bioenergia e biomateriais; robótica agrícola; alimentos ecológicos; e novos sistemas de cultivo.


Apesar de ainda representarem uma parcela pequena da indústriaalimentícia, algumas startups que têm como objetivo solucionar esses problemas já estão listadas na bolsa de valores dos Estados Unidos.


Este é o caso da Beyond Meat, marca pioneira do hambúrguer de plantas que imita o sabor, a textura e a cor da carne animal. A empresa, financiada por Bill Gates e Leonardo DiCaprio, entrou na Nasdaq em 2019.


Outro exemplo é a Oatly. A produtora de leites veganos se lançou no mercado com oferta inicial de US$ 1,4 bilhão e, hoje, é um dos maiores nomes do mercado de leite e derivados a partir de aveia e grãos.


Para que as foodtechs - e também as agtechs - continuem crescendo e recebendo investimentos, apesar do aperto financeiro geral, especialistas acreditam que é interessante pensar em modelos que não queimam muito caixa.


Ainda mais porque não estão surgindo negócios que demandem capital intensivo no nível das big techs”, explicou José Augusto Tomé, CEO do hub Agtech Garage, à Forbes.


A reportagem mostra que esses tipos de empresa têm permanecido focados nas demandas do setor nas várias cadeias produtivas e que foram resilientes nos últimos anos, mesmo durante a Covid19. Houve um aumento no valor de investimentos de 85% em 2021, quando comparado a 2020.


Ainda não há um levantamento fechado dos resultados do ano passado, mas é certeza que alguns setores dispararam.


Por exemplo, as agfintechs - startups voltadas para promoção e facilitação de crédito rural a produtores de todo o setor rural - financiaram ao produtor cerca de R$ 12 bilhões, um crescimento de 59% nos últimos três anos.

‘Bola de cristal’ otimiza produção agrícola

Entrando no campo das agtechs, a holandesa Source.ag deu o que falar essa semana por usar inteligência artificial de última geração para orientar o cultivo indoor de frutas e legumes.


Sua tecnologia permite que os agricultores otimizem seus recursos e maximizem seus resultados, apenas ajustando as condições de trabalho às necessidades de cada cultura.


Estamos dando aos produtores uma bola de cristal, na qual eles podem ver como fatores externos e decisões afetarão o desenvolvimento de suas plantações”, comentou Rien Kamman, CEO da startup.


Além disso, a IA permite que os agricultores tenham noção do uso de recursos, o custo da produção e o retorno dos associados. “Com base nisso, nós ajudamos a encontrar a estratégia de crescimento ideal para seus negócios”, completou.


De acordo com Arnout Dijkhuizen, diretor de investimentos da Astanor Ventures, líder da rodada Série A aportada pela agtech, a empresa “foca onde a tecnologia encontra a natureza, tornando o cultivo indoor globalmente acessível e escalável”. Inclusive, democratiza o acesso a frutas, verduras e legumes frescos.


A Source.ag recebeu US$ 23 milhões da Astanor e da Acre Venture Partners, sua Series A. Com este investimento, a startup chegou a um financiamento total de US$ 35 milhões.

Beleza não se põe à mesa?

Outra startup que pensa no futuro da alimentação que chamou a atenção esta semana foi a americana The Ugly Company. A empresa transforma frutas feias que iriam para o lixo em snacks. Como? Desidratando-as.


Cada oito quilos de frutas frescas - porém feias - geram meio quilo de frutas secas. Assim, cada pacotinho da marca representa o “reuso” de dois quilos de alimento.

O nome disso é upcycling: o reaproveitamento de objetos antigos, com muita criatividade e respeito ao meio ambiente. Mas, diferente do que estamos acostumados, o termo se refere agora também à cadeia alimentar e não somente ao mundo da moda.

Os produtos rejeitados vêm de fazendas do Vale de San Joaquin, na Califórnia, e, por isso, geralmente recebem cerejas, pêssegos, damascos, kiwis e nectarinas.

Por conta da solução inovadora, The Ugly Company recebeu US$ 9 milhões em sua Série A, liderada pela Sun Valley Packing e Value Creation.


Já mostramos em edições passadas da Semana Corrida famosos que investiram em foodtechs. Aqui, o caso não é diferente. O cantor Justin Timberlake também participou da rodada, junto com a Valley Ag Capital Holdings.


Com isso, a foodtech, fundada em 2018, chegou a um total investido de US$ 11,9 milhões e já salvou do lixo mais de duas mil toneladas de frutas não estragadas.


Fonte: Enviado por BHub


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