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Projeto paulista surpreende por atingir produtividade em padrões europeus no cultivo de tomate grape

Atualizado: 12 de nov. de 2022

Agricultura de precisão integrando tecnologia, respeito pelo meio ambiente, alta produtividade (+25kg/m²/ano) com rentabilidade, o futuro da agricultura familiar.

*Leandro Barão (de vermelho) e Juliano Basílio (de preto) na Estufa em Parisi SP.


Em meados de 2020 no noroeste paulista em Parisi, uma típica cidade do interior com pouco mais de dois mil habitantes, três amigos com experiências de vida e formações acadêmicas muito distintas, mas complementares, Leandro Barão (agricultor formando em agronomia), Juliano Basílio (empreendedor formado em filosofia e finanças) e Guilherme Bertucci (gestor e engenheiro da computação) fundaram o projeto B3 Agrotech.


Em uma chácara de pouco mais de cinco hectares iniciou-se o projeto piloto que utiliza menos de 10% da área da propriedade (4.224m²) onde foram construídos quatro módulos de produção conhecidos como "Estufas" cada uma com 1.056m². As estruturas foram construídas em aço galvanizado, cobertas com plástico difusor de luz e fechadas com tela anti-afídeos para proteger as plantas de insetos e pragas. Cultivadas em vasos com substrato de fibra de coco ou casca de arroz, recebendo os nutrientes por uma solução nutritiva com um sistema automatizado que gerencia toda a fertirrigação, tudo integrado por sensores e monitoramento.

*Estufa de 1.056m² constituída por três arcos de 8 metros de frente por 44 módulos laterais de 3 metros cada.


A B3 Agrotech pretende criar um modelo de agronegócio rentável e replicável que poderá ser compartilhado para ajudar outras famílias da região a gerar alternativas sustentáveis de renda em pequenas áreas de suas propriedades, diversificando a produção e aproveitando a mão de obra familiar no processo. Para conseguir atingir este objetivo, uma decisão importantíssima foi a escolha de uma cultura de alto valor agregado com um mercado consumidor estável e que permitisse potencializar a produtividade por metro quadrado: essa escolha foi o Tomate Grape.


Segundo dados do IBGE (2017), o mercado de hortaliças brasileiro gerou 23,3 bilhões de reais de valor bruto, “Calcula-se que, hoje, o brasileiro consome, em média, 30 quilos de hortaliças por ano. Se comparar com o consumo sul-coreano, que está na casa de 170 quilos por habitante por ano, o Brasil tem um longo caminho a percorrer”, sinaliza o pesquisador Ítalo Guedes. O tomate tem a maior representatividade do mercado de hortaliças brasileiro, com valor bruto anual em torno de 23%. O Brasil é o 8º maior produtor mundial de tomate, tendo produzido no ano de 2017 cerca de 3,7 milhões de toneladas em uma área de 59,8 mil hectares, com rendimento médio de 60 ton/ha (6kg/m²/ano). Outra informação importante é que o consumo per capta de tomates vem gradativamente reduzindo pela limitação de oferta (5kg em 2002, 4,9kg em 2008 e 4,2Kg em 2017), além das fortes oscilações de preço percebidas pelos consumidores, principalmente em épocas de chuva e entre-safra.


Dentre os diversos tipos de tomates produzidos, existem algumas variedades de minitomates comercializadas, destas variedades o tomate grape tem destaque pela ampla aceitação de mercado, devido ao seu sabor adocicado (brixº entre 5 e 10) e coloração intensa, além de seu formato e tamanho muito parecidos com uma uva, características que justificam o nome atribuído a esse segmento. Os minitomates atingem cotação de mercado muito superior aos outros tipos de tomate, principalmente em relação ao tipo salada e tem maior estabilidade de preços ao longo do ano. Segundo a CEAGESP (2017), o valor pago por um quilograma de minitomate, no mês de março de 2017 foi de R$6,30, enquanto que para tomates do grupo salada extra A, extra AA e extra AAA, no mesmo período o valor pago por quilo foi, respectivamente, de R$2,38, R$3,08 e R$3,73 respectivamente. Na gôndola dos supermercados, uma pequena bandeja de tomates grape, com cerca de 180 gramas pode chegar a custar de R$ 3,45 a R$7,50, o equivalente de R$ 23,00 a R$41,00 o quilo para o consumidor final.

Após a definição da cultura a ser cultivada no projeto, a B3 Agrotech iniciou um trabalho de pesquisa e busca de parcerias estratégicas, encontrando o Sistema Integrado de Produção de Frutas, Verduras e Legumes da Sakata Seed, empresa multinacional japonesa de genética e produção de sementes que criou um modelo de parceria que prevê a cooperação entre produtores (integrados), distribuidores (integradores) e fornecedores para a comercialização da marca Sweet Grape. Após alguns meses de negociação, a B3 Agrotech passou a integrar o sistema assinando contrato de distribuição com a Trebeschi, empresa mineira reconhecida como uma das maiores distribuidoras de tomates do país. O contrato garante compra de 100% da produção por um preço pré-definido e calculado por indicadores de qualidade, desta maneira, sem a preocupação com a comercialização, a B3 Agrotech pode focar seus esforços em encontrar soluções para aumentar a produtividade e rentabilidade.

*Visita ao viveiro de mudas da Hidroceres em Santa Cruz do Rio Pardo durante a fase de pesquisas, amigos Leandro Barão, Juliano Basílio e Guilherme Bertucci.


O projeto tem evoluído de forma muito satisfatória, com o apoio de muitos parceiros do setor, adotando uma postura empreendedora e disruptiva e tomando decisões estratégicas como a utilização de mudas enxertadas, ciclo curto de 180 dias, a condução com 4 hastes, adensamento de 1.100 vasos por estufa de 1.056m², automação da fertirrigação, reuso do drenado para reduzir custos com fertilizantes e gestão profissional com metas e indicadores. No dia 02 de novembro de 2022 o projeto completou 2 anos desde a primeira colheita, tendo tido colheita em todas as semanas desde então. A operação já atingiu indicadores de produtividade em padrões europeus (~25kg/m²/ano), gerando resultados financeiros positivos (~30% de Lucro Líquido). Agora a B3 Agrotech prepara o movimento de expansão do projeto para que outras famílias possam ser beneficiadas.

*Alguns parceiros e apoiadores do projeto: Enison (Hidrosense) e Vieira (Agroestufa), Edson Trebeschi e Sílvio (Trebeschi), Professor Marco Alvarenga, José Carlos (Plantfort), Sérgio Hanai (Sakata) e equipe técnica Trebeschi.



Mas por que investir em um projeto focado na Agricultura Familiar?


O que é a Agricultura Familiar?

A Agricultura Familiar é caracterizada por pequenos produtores rurais que fazem a gestão da propriedade com a família e têm a atividade agropecuária como a sua principal fonte de renda. Considerado principal responsável pela produção dos alimentos que são consumidos pelos brasileiros. Segundo dados do Censo Agropecuário de 2017 realizado pelo IBGE, a agricultura familiar está em 77% das mais de cinco milhões de propriedades rurais do Brasil, porém com apenas 23% da área cultivável. Cerca de 50% dos estabelecimentos agropecuários tem menos de 10 hectares, e ainda assim geram 38% do valor bruto das produções agrícolas do país, recebendo apenas 11,5% do investimentos do governo federal. Cerca de 67% do total de pessoas ocupadas no campo estão em pequenas propriedades. A agricultura familiar é responsável pela produção de 66% das hortaliças consumidas pelos brasileiros, além de 64% do leite, tendo também grande representatividade na produção do feijão, das frutas e das proteínas consumidas em nossas refeições. Portanto sua importância é indiscutível na manutenção do abastecimento e nos preços da cadeia de suprimentos alimentícios.


Existe desigualdade no meio rural?

Um estudo embasado na Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (PNAD) levando em conta renda familiar e privações das condições básicas (água encanada, saneamento e energia elétrica) apontou que, enquanto 29,2% da população urbana é acometida pela pobreza, o mesmo ocorre com 65,1% população rural. Ainda nesse sentido, em um estudo recente, Hoffmann (2017) mostra o quão díspares são os rendimentos médios do Brasil considerando valores de renda domiciliar per capita urbana de R$981 e rural de R$345, respectivamente, isso demonstra a acentuada desigualdade de renda e a grave situação que a população rural se encontra no que concerne distribuição de renda no país.


O êxodo rural de fato é um problema?

Com pouca terra e sem conseguir gerar renda suficiente para manter a família somente com a produção da propriedade, a resposta das novas gerações tem sido a migração das para os centros urbanos. Existe um estudo que demonstra a gravidade dessa questão, enquanto em 1950 a população brasileira era de aproximadamente de 52 milhões de habitantes e 33 milhões eram pessoas da área rural (63,8%). Em 2010 o número de pessoas na área rural caiu para 29 milhões (15,6%), enquanto a área urbana saltou para 160 milhões (84,4%), ou seja, houve um imenso salto populacional urbano enquanto houve um decréscimo das pessoas do campo, se essa tendência continuar quem vai produzir nossos alimentos? O mesmo movimento está acontecendo no mundo todo.


Importância dos projetos de inovação e tecnologia para a Agricultura Familiar.

A agricultura é uma atividade milenar, tradicional e fundamental para a humanidade, porém apesar da sua importância, é um dos setores com maiores oportunidades de inovação, pois o emprego da tecnologia se restringe às culturas extensivas e grandes latifundiários. O Brasil tem mais de 5 milhões de estabelecimentos, grande maioria são agricultores familiares com pouco acesso à tecnologia ou métodos de produção disruptivos, ou seja, um mercado enorme para as StartUps de tecnologia e inovação.


Apesar do cultivo protegido já existir no Brasil, ainda é uma prática pouco difundida, principalmente com emprego de tecnologia e inovação. O Comitê Brasileiro de Desenvolvimento e Aplicação de Plásticos na Agricultura (Cobapla) estima que o Brasil possui cerca de 30 mil hectares de cultivo protegido. Não há dados oficiais sobre a área de cultivo protegido de hortaliças, mas, em 2007, o Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas (SBRT) publicou um dossiê técnico onde a estimativa ficava em torno de 2 mil hectares cultivados predominantemente com tomate, pimentão, pepino e alface. No mundo, o cultivo protegido cresceu 400% nas últimas duas décadas, passando de 700 mil para 3,7 milhões de hectares. Essa técnica de cultivo com incremento de tecnologia e gestão profissional permite maior eficiência no uso da água, praticamente elimina uso de defensivos químicos e reduz significativamente o custo com mão de obra, possibilitando a produção de alimentos com qualidade e altas produtividades por m².


A B3 Agrotech segue com o forte propósito de encontrar alternativas sustentáveis para ajudar milhares de agricultores familiares do Brasil através de modelos disruptivos de produção intensiva em ambiente protegido com emprego de tecnologia, métodos altamente sustentáveis e economicamente viáveis, modulares e replicáveis, gerando renda complementar para agricultores familiares usando pouco espaço da propriedade, diversificando a produção e aproveitando mão de obra familiar no processo. Por outro lado, oferecendo ao mercado consumidor produtos de altíssima qualidade e máxima segurança alimentar.



Fontes:









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